Ilhas Marshall

A meio caminho entre o Hawai e a Austrália, a República das Ilhas Marshall (1986) é um dos 4 únicos países atol do mundo e uma das mais jovens nações. Apesar de recente, enquanto nação independente, a história das Marshall não se faz de praias de areias douradas e águas cristalinas, como seria de esperar num conjunto de 29 atóis e 5 ilhas no meio do Oceano Pacífico.

A vida das Marshall faz-se sobretudo da relação com os Estados Unidos da América, com a qual o país da Micronésia tem um Acordo de Livre Associação. Com 180 km2 (ao longo de uma extensão marítima de 2 milhões de km2), este conjunto de ilhas que não vai acima do mar mais de 7 metros, foi invadida pelos americanos durante a II Guerra Mundial, tendo sido palco de inúmeros testes nucleares, com danos inestimáveis para a sua geologia, ambiente e população, que ronda os 25 mil habitantes.

Os locais de maior importância nas Marshall são precisamente os relacionados com os testes a mísseis, que continuam a ser efetuados por parte dos EUA. Um desses locais, o Atol Bikini, é mesmo considerado Património da Humanidade pela UNESCO. O atol foi palco de 67 explosões nucleares entre 1946 e 1958, nomeadamente a da primeira bomba H, com 7 mil vezes mais potência que a bomba atómica largada em Hiroshima. A radiação trouxe uma contaminação incalculável para o atol, ainda hoje símbolo das bombas atómicas.

Associados aos testes nucleares, mais concretamente, estão alguns locais de relevo: a Lagoa Bikini, uma enorme cratera no mar, um autêntico cemitério de navios, que, apesar da radiação, é um atrativo para os mergulhadores, a Cratera Bravo (no Atol Bikini), com 2 kms de largura e 75 metros de profundidade, o local do teste Mike, no Atol Enewetak, com uma cratera de 1,9km de diâmetro, e ainda a Cratera Runit, também em Enewetak (atol que teve que ser evacuado por causa do perigo da radiação).

Os três atóis mais associados aos testes com misseis são Bikini, Enewetak e ainda Kwajalein, atol que continua alugado pelos Estados Unidos e de onde advém grande parte das receitas do país. Os três localizam-se ma secção ocidental das Marshall, denominada de ?Ralik? (por do sol). A secção oriental é chamada de Ratak (nascer do sol). 

Majuro, que se estende ao longo das ilhas Delap, Uliga e Darrit, é a capital do país, onde estão os edifícios governamentais, o porto, o aeroporto internacional, os poucos vestígios arqueológicos existentes e cerca de dois terços da população das Ilhas Marshall. Com uma agricultura de subsistência e tendo a maior parte dos produtos importados dos Estados Unidos, o país emprega a maior parte dos habitantes nos serviços administrativos, no turismo e na preparação dos testes de mísseis. 

Estendidos ao longo de milhares de quilómetros, as Ilhas Marshall podiam ser conhecidas pelo turismo ou pela biodiversidade marítima. A História não ditou tal destino a um conjunto de atóis que representa exatamente o oposto dos cenários idílicos do Pacífico. A areia está lá, a água de um azul profundo também, mas toda a beleza natural vê-se obrigada a coexistir com a energia nuclear e força bélica.

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Área: 181 km²

População: 62.000

Capital: Majuro (25.400)

Per capita (US$): 2.900

Língua: Inglês, Marshalês

Religião: Cristianismo